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Para Vô Marú

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Porto, 01 de setembro de 2019. Querido Vô Marú, espero que essa carta o encontre. Sei que está bem e em paz. Não me lembro o ano que você fez a passagem. Sei que eu era muito pequeno ainda. Mesmo assim, há marcas suas, indeléveis, no meu jeito, na minha memória, nas lembranças familiares, no meu pai, na minha irmã, o Vô Marú que continua a caminhar comigo.  Com muito pouca idade, minha filha me ensinou que o lugar mais perto que existe é dentro. E isso fez toda a diferença. Em mim, trago nosso jeito boêmio, o trejeito de colocar um paninho para comer e bebericar um tira-gosto, o gosto por um sabonete novinho, o sem-jeito de ver a vida de outra forma, senão pelo lado poético. Não sei se gostaria dos meus poemas. Você se foi antes das minhas primeiras incursões neste tema e sei que não gostava de Drummond. As pedras do caminho dele seguiam a ordem de outro tempo, não o do seu.  Curioso isso, escrevo justamente para falar sobre o Tempo. Sabe, Vô, não sinto fal...