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Para Nestor

Porto, 04 de dezembro de 2019. Querido pai, espero que esta carta o encontre bem, tranquilo e em paz. Sei que é difícil. Sua irreverência e inquietude filosófica tendem sempre ao desequilíbrio, tanto na parte maravilhosa quanto na parte complexa que existe nessa palavra. É justamente por causa do desequilíbrio que nos movemos. A cada passo, nos desequilibramos para colocarmos o apoio do pêndulo na frente e fazermos avançar. Mas sobre isso devo tratar com mais cuidado. Não em uma carta curta, num respiro desequilibrado da minha sã loucura. Aprendi nos seus desequilíbrios a audácia do Manoel. Escrevo porque está quase na hora. Vou ser pai novamente e, ato contínuo, avalio-me como pai, olho no espelho de nossa relação, vejo a parede pintada do tempo, que retrata flores azuis com miolos amarelos em Alcobaça, instrumentos musicais no canto que ficava o piano, os veios da madeira da Matinha, os musgos da Almerinda. Há paredes onde nem imaginamos. Conseguiremos transpô-las? Hoje, a l...